terça-feira, 13 de setembro de 2011

Samsung Galaxy Tab 10.1: o fino do Android

PCWorld Brasil

Com apenas 8.6 mm de espessura, tablet mais fino do mercado tem excelente autonomia de bateria, bom desempenho e traz sistema e aplicativos otimizados

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Talvez você não se lembre, mas a Samsung foi a primeira fabricante a lançar um tablet no mercado nacional: seu Galaxy Tab (com tela de 7 polegadas) chegou às lojas em novembro do ano passado.
Entretanto, apesar de alguns recursos de hardware interessantes como um sintonizador de TV Digital e Analógica, ele sofria com a falta de software otimizado para o formato: o sistema operacional Android 2.2 era o mesmo dos smartphones, e fora alguns apps pré-instalados não havia quase nada que tirasse proveito da alta resolução (1024 x 600 pixels) da tela. A sensação era de que ele não passava de um “smartphone gigante”.
Mas o mundo da tecnologia progride a passos largos. Em menos de um ano a Google lançou uma nova versão do Android (a série 3.x, codinome “Honeycomb”), otimizada para tablets e adotada por vários fabricantes. Entre eles a Samsung, que anunciou em fevereiro deste ano um novo Galaxy Tab com tela de 10.1 polegadas.
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Galaxy Tab 10.1: Android 3.1 e tela widescreen de 10.1 polegadas
Batizado de Galaxy Tab 10.1, o novo tablet já está à venda no Brasil há cerca de um mês, inicialmente nas lojas da operadora Vivo em versão com 3G integrado. Com hardware aprimorado e software “sob medida” para o formato, será que o “Tab” tem o que é necessário para conquistar um espaço entre concorrentes como o iPad 2 e outros tablets Android com hardware similar?
Hardware
Com 8,6 mm de espessura, o Galaxy Tab 10.1 é o tablet mais fino do mercado, 0,2 mm mais fino que o iPad 2, embora eu duvide que alguém vá notar a diferença no dia-a-dia. Ele também é 42 gramas mais leve que seu concorrente direto (são 565 gramas no total), embora seja mais largo (25,6 cm) para acomodar a tela de 10.1 polegadas com proporção widescreen que lhe dá o nome.
O design não foge muito do comum encontrado em outros tablets no mercado: frente preta com borda prateada. O modelo testado tem a traseira branca, lembrando o primeiro Tab. Todos os botões (liga/desliga e volume) ficam na borda superior, junto com o slot para o SIM Card e o conector para fones de ouvido. Na borda inferior fica o conector de expansão, usando para carregar o aparelho e conectá-lo ao PC ou a acessórios. Assim como os outros tablets Honeycomb no mercado, o Galaxy Tab 10.1 foi feito para ser usado “na horizontal”.
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Traseira branca lembra o primeiro Galaxy Tab. Câmera fica na parte prateada no topo
Por dentro ele usa os mesmos componentes que o Motorola Xoom, ASUS Eee Pad Transformer e outros tablets Honeycomb no mercado: um processador dual-core Nvidia Tegra2 de 1 GHz com 1 GB de RAM. Há 16 GB de memória flash interna para armazenamento de fotos, músicas e vídeos, mas não há um slot para expansão com cartões microSD, disponível em concorrentes como o Xoom e o Transformer.
São duas câmeras, uma traseira de 3.1 MP (com flash) e uma frontal de 2 MP para videochamadas. Não há portas USB, slot para cartões de memória nem saída HDMI para ligação a TVs de alta-definição, embora a Samsung ofereça acessórios opcionais para cada caso.
Além das interfaces Wi-Fi e Bluetooth, o Galaxy Tab 10.1 que testei também tem 3G integrado. Mas ao contrário de seu irmão mais velho, o Galaxy Tab de 7 polegadas, o novo Tab não é capaz de fazer chamadas, embora seja capaz de enviar e receber mensagens SMS. Outro recurso que desapareceu na nova geração foi o sintonizador de TV (Digital e Analógica), algo que também aconteceu na transição entre o Galaxy S e o Galaxy S II.
Nos benchmarks o Samsung Galaxy Tab 10.1 teve o mesmo desempenho que outros tablets “Honeycomb” no mercado, como o Motorola Xoom ou o ASUS EeePad Transformer. É o esperado, já que o hardware é exatamente o mesmo.
Câmera
Considerando a resolução da câmera, teoricamente o Galaxy Tab 10.1 estaria em desvantagem em relação aos outros tablets Honeycomb, equipados com câmeras traseiras de 5 MP. Mas na prática o resultado é outro: as imagens, mesmo feitas em ambientes internos sob luz artificial, tem cores naturais, boa exposição e agradam, embora o algoritmo de redução de ruído tenha tendência a ser um tanto agressivo e borrar os detalhes mais finos.
Já nos vídeos o resultado é bem pior. Apesar do tablet gravar em “HD” (1280 x 720 pixels, 30 quadros por segundo) imagens feitas em ambientes internos, mesmo bem iluminados, tem ruído excessivo, e ganham a aparência de “TV com chuvisco”. Para gravar em locais com pouca luz é possível usar o flash da câmera como uma “lanterna”, embora ele tenha baixa potência e um alcance limitado.
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Amostra de foto feita com o Galaxy Tab 10.1. Clique para ampliar
O software da câmera foi modificado pela Samsung, e traz recursos como controle manual de exposição, detecção de sorriso, fotografia panorâmica, temporizador e modos de cena. Um editor permite modificar as imagens, de simples recortes a ajustes de exposição e cor. Curiosamente, o editor de vídeos padrão do Honeycomb, encontrado em outros tablets, não estava instalado no Galaxy Tab 10.1.
Software
O Galaxy Tab 10.1 roda o sistema operacional Android 3.1, ao qual a Samsung adicionou a interface Touchwiz, já conhecida dos usuários de smartphones da marca. Além de mudanças cosméticas (como novos ícones e fontes) há recursos bastante úteis, como atalhos para ligar ou desligar funções como Wi-Fi, Bluetooth e GPS integrados à área de notificação e uma “prateleira” com seis mini-aplicativos no rodapé da tela, que podem ser acessados a qualquer momento, de qualquer aplicativo.
Entre eles estão um gerenciador de tarefas (que permite fechar aplicativos que estejam em execução em segundo plano), calendário, relógio com hora mundial, bloco de notas, calculadora e media player. Eles rodam em uma janela sobre os outros aplicativos em execução, sem ocupar muito espaço, e são muito úteis quando você precisa fazer uma conta ou consulta rápida à sua agenda sem interromper as outras tarefas.
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Mini-Apps, como o calendário, rodam "por cima" dos outros aplicativos
Como de praxe, a Samsung modificou o Music Player e o Reprodutor de Vídeos. No primeiro caso prefiro o player original da Google, que tem um visual mais atraente, embora não haja muitas diferenças em termos de recursos. Já o reprodutor de vídeos desapontou. Os aparelhos topo de linha da família Galaxy, como o Galaxy S e o Galaxy S II, tem a reputação de “toca tudo” pois trazem players próprios capazes de lidar com formatos de vídeo populares como DiVX e MKV sem a necessidade de conversão. Mas no Galaxy Tab 10.1 tive problemas para tocar vários clipes nestes formatos.
Depois da conversão para um formato compatível (usei o encoder Badaboom 2 no perfil “Motorola XOOM”, que gera arquivos em MPEG-4) não tive problemas para tocar clipes em resolução HD (720p). Ponto positivo: o player é capaz de reconhecer e usar legendas externas no formato .SRT.
Falando em filmes, o Galaxy Tab 10.1 vem com um aplicativo do Netmovies, que permite assistir a filmes e séries via streaming, com dois meses de acesso grátis. Infelizmente o catálogo desapontou: segundo a assessoria de imprensa do serviço são 4 mil títulos disponíveis, mas passeando pelas categorias encontrei poucos títulos recentes ou conhecidos. No gênero “Ação e Aventura”, por exemplo, há alguns filmes de Chuck Norris (“Força Delta”) e Jackie Chan (“Arrebentando em Nova York”), mas nada que tenha feito qualquer sucesso nos cinemas nos últimos 10 anos.
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Catálogo da Netmovies: alguém aí quer assistir "Operação Dragão Gordo"?
A quantidade de conteúdo da Editora Abril também chamou a atenção. Há apps para nada menos do que seis revistas, além de um jornal (Folha de São Paulo). Mas se você espera ler a edição do mês da Super Interessante com o mesmo conforto e recursos de quem lê a Wired num iPad, pode tirar o cavalinho da chuva: os “aplicativos” são nada mais do que atalhos para os sites de cada publicação, com o mesmo conteúdo já disponível online, com pouca ou nenhuma modificação (às vezes, apenas na forma como ele é apresentado).
Em alguns casos é até uma desvantagem usar o aplicativo, como no caso da revista Época: comparados ao site, os artigos no “aplicativo” tem erros de formatação e algumas imagens e infográficos estão faltando.
A Samsung também inclui em seu tablet o pacote de escritório Polaris Office (que, além de editar arquivos do Microsoft Office também se integra ao Google Docs), o excelente leitor de feeds RSS Pulse, que se integra ao Google Reader, e uma versão de demonstração do jogo “Need for Speed: Shift HD”.
Bateria
Nosso teste de bateria padrão em tablets consiste em colocar o brilho da tela em 50% e tocar um vídeo continuamente, enquanto o aparelho está conectado a uma rede Wi-Fi. Nesse perfil de uso o Galaxy Tab 10.1 surpreendeu, com uma autonomia estimada em pouco mais de 11 horas de uso. É tanto quanto um iPad 2, e mais que concorrentes como o Motorola Xoom (pouco mais de 8 horas e meia) ou o Eee Pad Transformer da ASUS (pouco mais de 9 horas). É o melhor resultado que já vimos em um tablet Android.
Na hora da recarga, o Galaxy Tab 10.1 tem o mesmo comportamento de outros tablets no mercado: ele não recarrega plugado a uma porta USB do computador, apenas usando o carregador incluso na embalagem.
Acessórios
Como já disse, o Galaxy Tab 10.1 não tem portas USB, leitor de cartões de memória ou saída HDMI, embora estes recursos possam ser implementados com acessórios que a Samsung também está trazendo ao Brasil. Mas é melhor você preparar o bolso.
Para ligar o tablet a uma TV de alta-definição, por exemplo, é necessário desembolsar R$ 139,00 por um cabo HDMI. Quer ler cartões SD e pendrives? Pague mais R$ 99 pelo kit com dois adaptadores. Um carregador veicular sai por R$ 129, e uma simples capa de couro custará R$ 100.
A Samsung também trará ao mercado nacional um teclado (R$ 299) que possibilita transformar o Galaxy Tab 10.1 em um “netbook”, de forma similar ao Eee Pad Transformer da ASUS. Mas se a idéia é similar, a execução é diferente: o teclado da Samsung não tem o encaixe móvel, então não é possível fechar a tela sobre o teclado e colocar o conjunto na bolsa. Ele também não tem o trackpad, leitor de cartões nem a bateria extendida encontrados no produto da ASUS. É só um teclado, e nada mais.
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Teclado para o Galaxy Tab 10.1: sem trackpad ou bateria extra
A boa notícia é que você pode usar qualquer teclado Bluetooth com o Galaxy Tab: testei com o teclado sem fios de um Mac e não tive problemas. Infelizmente não tive a mesma sorte com um mouse: até consegui “parear” ele com o tablet, mas o cursor na tela (como visto no Eee Pad Transformer) nunca apareceu.
Veredito
Apesar de ter o mesmo hardware que seus concorrentes, o Samsung Galaxy Tab 10.1 consegue de destacar pelo design ultrafino e pelas modificações feitas pela fabricante no sistema operacional, que o tornam mais fácil e agradável de usar.
Entretanto, estas diferenças não são suficientes para justificar o preço. O Galaxy Tab 10.1 com 3G, sem subsídios de operadora, sai por R$ 1.999. É possível comprar um Motorola Xoom 3G, com mais memória interna (32 GB) e câmera melhor (5 MP) por cerca de R$ 100 a menos, e algumas lojas dão o cabo HDMI de brinde. No Galaxy Tab ele custa R$ 139. Claro que o Galaxy Tab 10.1 é mais fino e mais leve, mas a economia pode compensar os 4,3 mm e 165 gramas de diferença.
Galaxy Tab 10.1
Fabricante: Samsung
Pontos fortes: É o tablet mais fino do mercado
Excelente autonomia de bateria
Interface "TouchWiz" deixa o sistema mais fácil de usar
Pontos fracos: Precisa de acessórios (caros) para fazer o que alguns concorrentes fazem nativamente
Um pouco caro
Apesar de ter o mesmo hardware que seus concorrentes, o Samsung Galaxy Tab 10.1 consegue de destacar pelo design ultrafino e pelas modificações feitas pela fabricante no sistema operacional, que o tornam mais fácil e agradável de usar. Entretanto, o preço é um tanto salgado: não é difícil encontrar concorrentes com hardware um pouco superior por menos, apesar deles não serem tão "finos" quanto o Tab.
Preço: R$ 1.999 (na versão 3G, sem plano com a operadora)

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